"O fornecimento da rede para a obra do edifício Castelo Branco Office Park representou um grande desafio no qual tivemos que recorrer a diferentes tipos de dutos conforme a finalidade especificada em projeto, que visava atender o sistema de ar condicionado e ventilação até a rede de exaustão de fumaça que criasse rotas de fuga para os ocupantes em caso de incêndio no edifício. A principal dificuldade encontrada foram a vigas que interferiam no caminho dos dutos, situação constante em todos os 18 pavimentos do empreendimento cuja solução adotada foram os dutos TDC fornecidos com uma das extremidades lisas (sem flange) pronta para, após a montagem colocação de perfil de flangeamento e acessórios de fixação NEXUS, com selante interno de vedação, garantindo-se assim a flexibilidade de

montagem necessária à instalação e padrão de qualidade especificada em projeto", informa Eng. Marcelo Vale.

Ele acrescenta que a utilização dos Dutos TDC veio de encontro à exigência por parte do contratante, de dutos leve com bom custo inicial e severas exigências quanto aos níveis vazamento de ar, sempre com foco em um sistema de ar com boa eficiência energética gerando economia para o contratante. "O principal benefício na utilização dos dutos TDC está na estanqueidade. São fabricados com os flanges perfilados na própria chapa do duto aumentando o nível de estanqueidade, eliminando a possibilidade de vazamento, maior resistência, e assim diminuindo consumo de energia. Desta forma, o tamanho e complexidade desta obra resultaram em uma rede de dutos e conexões com mais de 100 toneladas distribuídos em aproximadamente 6.000 metros lineares", diz Vale.

 
 

Castelo Branco Office Park - Relato de Caso - REVISTA CLIMATIZAÇÃO


Utilizar tecnologias que reduzam o consumo de energia, aproveitem a água das chuvas e outros recursos naturais, como sol e vento, para promover o bem-estar das pessoas e preservar o meio ambiente foram objetivos de projeto do Castelo Branco Office Park, complexo de escritórios desenvolvido pela Tishman Speyer em parceria com a Toledo Ferrari Construtora e Incorporadora.
O empreendimento compreende uma área de 110 mil metros quadrados, localizado na região de Barueri, em Alphaville, São Paulo (SP), e será composto por seis torres de escritórios, sendo três delas com 14 andares e as outras com 18, 23 e 26 pavimentos respectivamente. Além desses edifícios, o complexo ainda será constituído por uma área corporativa horizontal, de dois andares sob deckparking que aproveitará o desnível natural do terreno.

Com projeto arquitetônico da KOM Arquitetura e Planejamento, a primeira das três torres da primeira fase (menores – com 2.300 metros quadrados de laje e 14 andares cada uma) foi entregue no final de 2009. Os incorporadores explicam que em função do potencial de desenvolvimento do empreendimento (mais de 500 mil metros quadrados), este será construído em fases distintas. De acordo com a Toledo Ferrari, todo o projeto foi feito de maneira a otimizar a produtividade e o bem-estar dos ocupantes. Os andares, com core central em “Z”, permitem a ocupação das áreas por até quatro empresas de forma eficiente e confortável.

“A versatilidade do espaço interno é outro diferencial do complexo. Ele facilita o crescimento planejado ao mesmo tempo em que serve as companhias dos mais diversos tamanhos e perfis. Os andares estão preparados para ter forro acústico, piso elevado e ar condicionado, oferecendo ampla flexibilidade de uso e conforto para os futuros inquilinos. As áreas, com vão livre central em ‘Z’, permitem a ocupação de forma eficiente. Os sanitários, por exemplo, estão localizados em área junto ao hall do andar. Isso significa que a manutenção está sob o escopo da administração predial, por fazer parte da área comum e não privativa. É mais um benefício para o ocupante”, comenta Luiz Henrique Ceotto, da Tishman Speyer.


A versatilidade do espaço interno

Conceitos aplicados

 

Estruturado segundo o conceito “Core & Shell” (núcleo e fachada), de acordo com Fabio Escada, engenheiro da Tishman Speyer, o empreendimento possui uma estação de tratamento de esgoto e efluentes, os resíduos serão tratados num circuito fechado, sem nenhuma destinação a rede pública, serão coletados os esgotos negros, cinza, água pluvial e a água de condensação do sistema de ar condicionado; a água de reuso após o tratamento será reutilizada para os mictórios, vasos sanitários, irrigação e na torre de resfriamento do sistema de ar condicionado.

“O condomínio tem sua própria geração de energia, num sistema individual que irá trabalhar em paralelo a Eletropaulo, com geração de energia através de geradores a diesel e a gás para garantia de fornecimento de energia em horários de pico”, informa Escada.

Escada lista algumas medidas que foram adotadas voltadas a economia no consumo de energia e água:

Energia:
- Elevadores com sistema otimizador de tráfego e com regeneração de frenagem.
- Automação da iluminação para aproveitamento da luz natural e para o ar condicionado proporcionando redução da capacidade de resfriamento em cargas parciais.?
- Sistema de climatização voltado para a eficiência do consumo de energia e operação.
- Luminárias de alta eficiência.
- Motores para bombas de frequência variável.

- Automação que proporciona economia de energia,

Água:

- Sanitários – metais (torneiras e mictórios) de baixo consumo (dualflux).
- Tratamento de 100% dos esgotos.


Aproveitamento da luz natural

De acordo com Raul Almeida, diretor da Teknika, empresa responsável pelo projeto de climatização, o sistema é expansão direta com condensação a água, utilizando unidades selfs com multicompressores scroll, conforme atendimento a Ashrae 90.1, que operam com fluido refrigerante R-407C, e sistema de distribuição de ar por VAVs.


Almeida diz que os motivos para a escolha do sistema foram menor investimento inicial, porém mantendo eficiência energética, e simplicidade da instalação.


“As necessidades que orientaram este tipo de instalação foram a combinação custo inicial X consumo de energia. Se fosse apenas eficiência, o sistema adotado seria água gelada. Os principais diferenciais da obra em relação ao consumo de energia e água são as unidades selfs de alta eficiência; sistema de distribuição de ar por VAV e ventiladores dos selfs dotados de conversores de freqüência; vazão de água de condensação variável; torres de resfriamento com conversores de freqüência e sistema de filtragem de água das bacias das torres, visando diminuir o expurgo de água. A energia gerada é 100% elétrico, porém com 100% de geração de energia no horário de ponta sazonal (peak shaving elétrico), que vimos como vantagens o menor custo de energia e continuidade de operação”, comenta Almeida.


Cada pavimento tipo tem uma única casa de máquinas de ar condicionado com a instalação de um self de 316 kW (90TR). A partir desta casa de máquinas tem-se os dutos principais de ar condicionado “em anel” aos quais são conectadas as caixas VAV. Os sistemas de ar exterior e de exaustão mecânica são centrais e dotados de conversores de freqüência. Todo o sistema hidráulico é dotado de válvulas de balanceamento e o sistema de distribuição de ar tem registros de regulagem em todos os ramais e retorno. O edifício possui sistema de automação e controle predial com interface com o sistema de controle dos sistemas de ar condicionado e de ventilação mecânica.


“Utilizamos equipamentos mais eficientes, representando economia em torno de 0,2kW/TR, quando comparado a equipamentos tradicionais. Como estamos falando de uma instalação de 4571 kW (1.300TR), temos economia de aproximadamente 260kwh ou 32.000 kwh por mês. E mesmo o edifício não requerendo certificação LEED, foram mantidas todas as premissas, tais como Ashrae 90.1, distribuição de ar por VAV com controle por zonas térmicas, conversores de freqüência nas torres de resfriamento, bombas de água de condensação e ventiladores de ar exterior e de exaustão. Todos os sistemas de vazão de ar e de água variável têm como beneficio o consumo proporcional à demanda”, explica o diretor da Teknika.

Romulo Ribeiro Pieroni Sobrinho, engenheiro da Ambient Air, empresa responsável pela instalação do sistema de ar condicionado, acrescenta que o proprietário do imóvel fez a avaliação do sistema para uma vida útíl de 50 anos, visando também o menor custo operacional durante este período. ?


“A central de utilidades fica na cobertura do prédio, onde temos as bombas, torres de resfriamento, e os ventiladores dos diversos sistemas, em cada um dos 14 andares temos selfs de 316 kW (90 TR) ,e nas áreas administrativas selfs de menor capacidade. Na cobertura estão localizadas duas torres de resfriamento, três bombas de circulação de água, os ventiladores. Nas torres e bombas utilizamos inversores de frequência, e em toda a obra motores de alto rendimento. Para a distribuição do ar pelos andares foram utilizadas caixas VAV. A distribuição do ar é feita por um único anel de duto que serve o andar inteiro, e nele são interligados os ramais que utilizam caixas VAV para as diversas zonas de fachada e internas. A difusão do ar é através de difusores lineares nas zonas de fachada e difusores quadrados nas áreas internas, e a obra passou por comissionamento e TAB por meio da contratação de uma empresa especializada”, descreve Sobrinho.

Conversores de freqüência nas bombas de água de condensação


Automação, iluminação e acústica

A automação predial e de segurança, monitora e gerencia o controle de temperatura por sensores, medição individualizada dos consumos de eletricidade e ar condicionado das unidades. Possui uma Central de supervisão e controle e gerenciamento único para todo o empreendimento, 24 horas por dia. Sistema de CFTV com câmeras distribuídas em pontos estratégicos.
O projeto também envolveu a integração das diversas áreas para a especificação de fachada, vidros, acústica e iluminação, contratada pela Tishman Speyer, composta por especialistas e consultores de todas as áreas.


O edifício possui vidros com baixa condutividade térmica e alto isolamento conferem maior conforto ao espaço em relação ao ambiente externo, atenuando os ruídos de tráfego. Destaca-se também o sistema de controle dos ruídos e vibrações do sistema de ar condicionado, dos geradores, equipamentos mecânicos e elevadores.
Na iIuminação, a partir do índice de luminância projetado e especificado por um consultor especializado, foram adotadas luminárias seguindo normas de conforto prevendo 500 lux no plano de trabalho.
O Castelo Branco Office Park ainda teve projeto paisagístico desenvolvido pelo arquiteto Marcelo Novaes, que previu grande variedade de espécies de plantas, fontes, espaços alternativos e lagos artificiais, respeitando as necessidades de acessibilidade, e em sintonia com o conceito do empreendimento, as seis torres levam nomes de algumas das principais espécies de árvores brasileiras (Ipê, Jatobá e Jacarandá). Além disso, o projeto de iluminação valoriza a integração desses elementos.

Ficha Técnica:

Obra: Castelo Branco Office Park

Construtora: Tishman Speyer e Toledo Ferrari Construtora e Incorporadora

Projeto arquitetônico – KOM Arquitetura e Planejamento – Arquiteta Beatriz Ometto Moreno

Projeto paisagístico: arquiteto Marcelo Novaes

Projeto do sistema de climatização: Teknika Projetos e Consultoria Ltda.

Projeto da envoltória e vidros: KOM Arquitetura, Stamp, Mário Newton (alumínio) e Paulo Duarte (vidros)

Instalação da climatização: Ambient Air

TAB – Térmica Brasil

 

Equipamentos e materiais

Dutos – Refrin

Self-Contained – Trane

Difusores de ar e VAV – Tosi

Ventiladores – Projelmec

Bombas – Grundfos

Torres de resfriamento – Alfaterm

Válvulas de balanceamento: Tour & Andersson

Automação: Johnson Controls

Amortecedores de vibração: Vibtech

Fachada Pré-Fabricada: Stamp

Esquadrias de alumínio: Itefal

Vidros: Glassec

Instalações elétricas e hidráulicas: Temon Técnica de Montagens e Construções

Sistema de geração de energia: Ecogen

Sistema de tratamento de esgoto: Indeco

Elevadores: Thyssenkrupp

Ana Paula Basile Pinheiro - editora da revista Climatização & Refrigeração

Colaboraram: Fabio Escada, Luiz Henrique Ceotto, Raul Almeida e Romulo Ribeiro Pieroni Sobrinho.